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27 abril 2010

Vice-Presidente José Alencar é vitima do golpe do sequestro

matéria publicada no FOLHAonLINE , escrita pela jornalista Gabirela Guerreiro

Alencar admite que quase caiu no golpe telefônico do falso sequestro

O vice-presidente da República, José Alencar, confirmou hoje que foi vítima do chamado golpe do falso sequestro, no último domingo, ao atender uma ligação enquanto estava sozinho em seu apartamento, no Rio de Janeiro. Segundo Alencar, o suposto sequestrador colocou no telefone uma voz feminina, que lhe chamava de "papai". O vice-presidente disse ter acreditado que era sua filha Maria da Graça, e por isso continuou a conversa com o criminoso.
Alencar chegou a negociar valores a serem pagos ao suposto sequestrador, mas não efetivou o pagamento dos R$ 50 mil pedidos pelo bandido. "Ele pediu dinheiro, R$ 50 mil, mas eu disse: eu não tenho nada aqui, eu estou no Rio, eu não tenho dinheiro aqui. Ele perguntou: não tem joia? Eu disse que não. E ele: sua mulher não tem joia? Eu respondi que não, não usava joia."
O vice-presidente chegou a tentar baixar o valor do suposto resgate para R$ 20 mil, mas acabou interrompido por sua família, que chegou ao apartamento. Antes, Alencar identificou-se para o criminoso como vice-presidente.
"Ele me perguntou: qual é a atividade do senhor? Eu disse: eu sou vice-presidente da República. O quê? Eu disse que era vice-presidente da República. Qual é o nome do senhor? José Alencar Gomes da Silva. E nisso chegou o meu pessoal, a Marisa e as meninas, elas ligaram para a Maria da Graça, minha filha. Ela estava em casa, tudo bem", afirmou.
Alencar disse que "não houve tempo" de pagar o resgate, mas reconheceu que os casos de falso sequestro são "altamente preocupantes". O vice-presidente advertiu para que as pessoas fiquem calmas em casos de violência. "Papai nos ensinava uma coisa muito importante. Papai ensinava que o desespero não ajuda. Então eu tive calma."
Alencar disse que não se sentiu desprotegido, mesmo vítima do golpe. "Tudo bem, passou."

26 abril 2010

Suspeito de assaltar condomínios em SP trocava de aparência semanalmente, diz polícia

matéria da jornalista JULIANNA GRANJEIA em colaboração para a Folha , publicada em 26 de abril

Apontado pela Polícia Civil como o líder de uma das três quadrilhas especializadas em assaltar condomínios em São Paulo, um homem preso na última quinta-feira foi reconhecido nesta segunda por uma das vítimas de um roubo ocorrido em dezembro do ano passado na Mooca (zona leste). Segundo o Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado), Alexandre do Nascimento Alves, 33, conhecido como Castor, trocava semanalmente de celular, de carro e de aparência, o que dificultava a prisão.
De acordo com a polícia, Alves liderou o assalto ocorrido na Mooca. "Ela [vítima] o descreveu com uma pessoa muito violenta e que comandava os outros criminosos", disse o delegado titular da Divisão de Investigações de Crime contra o Patrimônio do Deic, Ismael Rodrigues.
"Ele é um camaleão, difícil de ser seguido. Temos sete fotos dele, todas com estilos diferentes. Tentamos prender o Castor em fevereiro, quando conseguimos prender sete pessoas da quadrilha. Desde então, intensificamos as investigações", afirmou o delegado.
Em uma das fotos divulgadas pela polícia, Alves aparece com cabelos cacheados e loiros e com a barba por fazer. Já em outra, ele está mais magro, com óculos de grau, camisa social, cabelo liso e com gel.
Alves foi preso na última quinta-feira (22) em Paraisópolis (zona sul) quando chegava a um estabelecimento comercial onde aconteceria uma reunião do bando para planejar novos crimes, afirma a polícia.
O delegado Antônio Carlos Heib, titular da Delegacia de Repressão a Furto Qualificado do departamento, disse que vai procurar as vítimas dos assaltos em condomínios para que elas também façam o reconhecimento. "Depois disso, vamos fazer um interrogatório e o indiciamento. Estamos apurando outros nove casos nos quais ele estaria envolvido. Ele mostrou muito pouco o rosto para as vítimas. E, quando mostrava, mudava o visual em seguida", afirmou Heib.
Alves nega os crimes e disse que, atualmente, trabalha como entregador de pizza.

Quadrilha 
A polícia informou que Alves tem passagens por homicídio, roubo e porte de arma e que também teria participado de sequestros.
De acordo com o delegado, a base da quadrilha liderada por Alves era na zona sul, mas os criminosos atuavam em toda a cidade. Além desse grupo, existem outros dois que cometem o mesmo tipo de crime: um sediado na zona norte e outro na zona leste. "Estamos investigando 50 pessoas, 22 já foram presas. De setembro até agora foram 19 ataques", disse Rodrigues.

21 março 2010

Grupo faz arrastão em prédio na zona sul de SP; 13 moradores ficam reféns

Um grupo de cerca de 15 pessoas invadiu um condomínio no Brooklin, na zona sul de São Paulo, e assaltou moradores de sete apartamentos na manhã deste domingo. A ação ocorreu por volta das 7h, de acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública.
A ação durou aproximadamente uma hora e meia. Os suspeitos usaram um controle remoto para entrar na garagem do prédio com dois carros. Dois homens, vestidos com roupas sociais e portando uma pistola e uma metralhadora, foram até a portaria e renderam o porteiro. Eles exigiram as chaves de um apartamento vazio, onde mantiveram reféns, e o número do apartamento do síndico.
Em seu apartamento, os homens revelaram que sabiam que ele iria viajar para o exterior, e exigiram dinheiro. Foram roubados 2.000 euros e seu passaporte, além de joias, relógios, um laptop, as chaves de dois veículos e um celular. O síndico foi levado ao apartamento vazio e mantido como refém.
Outras duas vítimas foram rendidas quando entravam no prédio. Um mulher teve R$ 2.000 roubados, além de joias, celulares e boletos de pagamento. Um morador foi acompanhado até seu apartamento, onde foram roubados R$ 10 mil, relógios, uma laptop, joias, óculos, celulares e um smartphone. Em seguida, também foram presos no imóvel desocupado.
Um casal foi rendido quando deixava a garagem. Deles foram levados R$ 400, aparelhos eletrônicos e bijuterias. Um morador que chegou de carro ao prédio também foi rendido e teve três cartões, um celular, DVDs, um GPS e o veículo roubados. Em seu apartamento, onde havia duas pessoas, foram levados mais dois celulares e uma câmera digital.
Ao todo, 13 pessoas foram mantidas reféns no apartamento vazio, amarradas com fitas adesivas. Todos disseram aos policiais que os homens estavam com armas potentes, eram bem vestidos, e utilizavam radiocomunicadores. O líder do grupo era chamado de "Jão".
Após o arrastão, o grupo fugiu em cinco veículos --mais um foi roubado, de um casal rendido ao sair do elevador.
O caso foi registrado no 96º DP (Monções). O Deic (Departamento de Investigações sobre Crime Organizado) também foi acionado e esteve no local. As imagens do sistema de vigilância de um prédio vizinho foram solicitadas.